Balancear

Do encontro entre brutalidade e leveza nasce Balancear, uma série que experimenta a argila como linguagem e significado. Material milenar, historicamente associado à utilidade e à tradição, a argila é deslocada de seu lugar de origem para sustentar formas que desafiam o repouso, o eixo e a estabilidade. Ao assumir o risco do balanço, o material inspira contemporaneidade, abrindo espaço para que exista um instante suspenso entre força e fragilidade.

As esculturas navegam entre liberdade e limite, peso e suspensão, rigidez e torção. Suas texturas remetem à terra seca, ao cimento bruto, à areia da praia. Ângulos retos se contrapõem a formas orgânicas, criando volume. 

Frente e verso se alternam, e a obra se completa na relação com a luz, ganhando um jogo inesperado de sombras, ampliando a percepção de movimento no espaço.

Assim, Balancear articula uma poética do sustentar. Sustentar a forma, sustentar o risco. No qual o equilíbrio não se dá pela eliminação da tensão, mas pela capacidade de habitá-la.

Balancear propõe uma reflexão sobre o tempo e a permanência, onde o olhar está na poesia da forma e no processo da construção.